terça-feira, 2 de julho de 2024

RESUMO: RESSONÂNCIA, MATERIALIDADE E SUBJETIVIDADE: AS CULTURAS COMO PATRIMÔNIOS*

 

RESUMO: RESSONÂNCIA, MATERIALIDADE E SUBJETIVIDADE: AS CULTURAS COMO PATRIMÔNIOS*

AUTOR DO TEXTO: José Reginaldo Gonçalves

CITAÇÃO: GONÇALVES, José R.S. (2005) “Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônio”. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, Ano 11, N. 23, pp. 15-36, jan./jun.


Resumo por: Heidi Ferreira da Costa

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RESUMO

O artigo se inicia com as múltiplas definições no dicionário para a palavra “patrimônio”. A partir desta exposição, o autor propõe que o próprio termo “patrimônio”, em especial o conceito antropológico de “patrimônio cultural” seja analisado em 3 categorias: Ressonância, Materialidade e Subjetividade.

Problematizando o fato de que, por seu uso excessivo, o termo “patrimônio” perdeu delimitações essenciais, ele defende que este seja utilizado como uma categoria de pensamento, uma “ponte”, que faça referência a categorias distintas e analiticamente bem delimitadas.

Ao iniciar a seção “Ressonância”, o texto traz considerações sobre o fato de que, em muitas culturas, o bem possuído é indissociável de seu possuidor e reflete aspectos tanto da posição deste quanto de sua própria sociedade. 

Prosseguindo, ressalta-se que:

Nas análises dos modernos discursos do patrimônio cultural, a ênfase tem sido posta no seu caráter “construído” ou “inventado”. Cada nação, grupo, família, enfim cada instituição construiria no presente o seu patrimônio, com o propósito de articular e expressar sua identidade e sua memória. (p.19)

Entretanto, ainda sob estas considerações modernas, nem tudo aquilo que é declarado patrimônio por uma sociedade (pelos processos de patrimonialização do Estado) encontra reconhecimento junto à setores da população. 

É então que o autor introduz a importância da categoria ressonância: “Os objetos que compõem um patrimônio precisam encontrar “ressonância” junto a seu público. ”(p.19). Ele esclarece então que esta seria a capacidade de um objeto de se fazer perceber como o representante de aspectos culturais do qual ele emergiu diante de seu espectador.

Neste ponto, o autor chama atenção para a presença da ambiguidade nos objetos patrimoniais, considerando que esta faz parte de sua natureza, já que está situada entre o passado e o presente, entre a cultura e os indivíduos, entre a história e a memória.

Segundo Reginaldo, “o acesso que o patrimônio possibilita, por exemplo, ao passado não depende inteiramente de um trabalho consciente de construção no presente, mas, em parte, do acaso”.(P. 20) e por isso nem sempre o trabalho de construção de memórias coletivas alcança o sucesso.

A próxima seção do artigo, denominada materialidade, se inicia com uma contraposição entre a materialidade que sempre esteve presente na noção de patrimônio e a moderna concepção de patrimônio imaterial, ou intangível, que estaria mais preocupado com as relações sociais, representando a compreensão antropológica contemporânea de cultura.

Ainda assim o autor declara que “Não há como falar em patrimônio sem falar sobre sua dimensão material”. (p. 21). Esta materialidade seria no entanto, uma categoria ambígua, que transita entre o material e o imaterial.

Desta forma, aquilo que é concebido como patrimônio cultural, pode englobar também objetos simples e cotidianos, como uma rede de dormir, que “podem ser certamente entendidos como “patrimônios”, na medida em que, pela sua ressonância junto a grande parte da população brasileira, realizam mediações importantes entre o passado e o presente, entre o imaterial e o material, entre a alma e o corpo, entre outras. ” (P. 22)

Segundo o autor, objetos materiais sublinham as dimensões sociais da cultura. Seria necessário, então, dar atenção às técnicas corporais segundo as quais eles são manuseados e utilizados.  Ele traz então, como exemplo, o estudo de Câmara Cascudo sobre as redes de dormir, para demonstrar como esse objeto possuía também significado social, simbólica e moral sendo uma representação da ligação indissociável entre corpo e cultura.

O texto passa então para sua próxima sessão, denominada subjetividade, que será voltado a demonstrar “o papel fundamental que desempenha a categoria do patrimônio no processo de formação de subjetividades individuais e coletivas. ” (p.27)

Neste ponto, são apresentadas as duas concepções históricas para o termo cultura. Na primeira concepção, a cultura é concebida como um trabalho e esforço de aperfeiçoamento humano. Já na segunda concepção, a cultura seria vista como o reflexo das expressões e identidades de grupos humanos, uma espécie de “alma coletiva”.

Reginaldo alega que estas duas concepções trazem repercussões para a categoria patrimônio, pois, “se, por um lado, este pode ser entendido como a expressão de uma nação ou de um grupo social, algo portanto herdado, por outro, ele pode ser reconhecido como um trabalho consciente, deliberado e constante de reconstrução.” (p. 28)

Há ainda a dualidade entre o singular e o universal, que pode ser mediada pela categoria patrimônio. Reginaldo empresta de Marcel Mauss o conceito de arbitrário social, para determinar que, sendo os patrimônios arbitrários em sua natureza, “eles próprios é que, na verdade, constituem um centro que é histórica e culturalmente constituído, podendo assumir múltiplas formas no tempo e no espaço”. (p.29)

O texto apresenta então a noção de cultura autêntica, emprestada de Edward Sapir. Essa cultura autentica faz oposição à “cultura enlatada” e consiste em uma cultura organicamente desenvolvida pelo grupo, que não se impõe a ele, mas que seria harmoniosa e autêntica. Uma expressão da criatividade desse grupo. Na cultura autentica a relação com o passado não é apenas a de uma apreciação, como a de objetos em vitrines, mas de vivência no presente e que se projeta para o futuro.

Esse aspecto, cabe sublinhar, mantém uma ostensiva afinidade com a categoria “patrimônio”, tal como a estamos explorando nestas reflexões. Ele articula-se intimamente com a dimensão da subjetividade, uma vez que esta pressupõe sempre alguma forma específica de continuidade entre passado, presente e futuro. (p.31)

O texto conclui que:

As variações de significado nas representações sobre a categoria “patrimônio” oscilam possivelmente entre um patrimônio entendido como parte e extensão da experiência, e portanto do corpo, e um patrimônio entendido de modo objetificado, como coisa separada do corpo, como objetos a serem identificados, classificados, preservados, etc. (p.32)

O patrimônio relacionado à experiência e ao corpo seria aquele da conexão simbólica do indivíduo com sua cultura, enquanto o objetificado é aquele passou por um processo de singularização para se ternar representante de algo.

Reginaldo termina o texto defendendo que os discursos e as políticas públicas de patrimônio sejam menos obsessivos a respeito da objetificação e aceitem o caráter ambíguo do patrimônio.

 


segunda-feira, 1 de julho de 2024

RESUMO: O PATRIMÔNIO COMO CATEGORIA DE PENSAMENTO – José Reginaldo Gonçalves

 

RESUMO: O PATRIMÔNIO COMO CATEGORIA DE PENSAMENTO 

AUTOR DO TEXTO: José Reginaldo Gonçalves

CITAÇÃO DO TEXTO ORIGINAL: GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O patrimônio como categoria de pensamento. In:ABREU, Regina; CHAGAS, Mario (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A: Faperj: Unirio, 2003b. p. 21-29.

Autora do Resumo: Heidi Ferreira da Costa

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RESUMO

O autor inicia o texto explicando a origem do termo “categoria” dentro da Antropologia, e declara que o objetivo do texto é compreender em que medida a categoria patrimônio, embora seja uma noção moderna, também pode estar ligada a culturas pré-existentes.

Ele alega que embora o termo patrimônio seja uma invenção da modernidade, remontando ao século XVIII, a noção de patrimônio sempre esteve presente nas culturas e sociedades humanas, interligando-o ao conceito de colecionamento.

José Reginaldo atenta para o fato de que as especificações modernas da categoria de Patrimônio não são naturais. Segundo o mesmo:

“Do ponto de vista dos modernos a categoria “patrimônio” tende a aparecer com delimitações muito distintas. É uma categoria individualizada, seja como patrimônio econômico e financeiro, seja como patrimônio cultural, patrimônio genético, etc.

Neste sentido, suas qualificações acompanham as divisões estabelecidas pelas modernas categorias de pensamento: Economia, cultura, natureza, etc. Sabemos, no entanto que essas divisões são construções históricas.” (GONÇALVES, 2003. p.23)

Ele recorre ao conceito de “bens sociais totais”, de Marcel Mauss, para considerar que patrimônios poder ter valores além dos materiais, como valores mágicos, morais, espirituais etc.

Reginaldo apresenta então a recente diferenciação e oposição entre o patrimônio imaterial e intangível ao patrimônio de “pedra e cal”, considerando que a intenção desta nova categorização não é de tombar, mas de registrar.

Seguindo a trilha de pensamento do patrimônio imaterial, ele apresenta a Festa do Divino Espírito Santo como um “fato social total” e ao mesmo tempo um “patrimônio transnacional”, porque se tratar de uma manifestação que ocorre em diversos países. Neste ponto, no entanto, ele alerta para a necessidade uma atenção ao utilizar a categoria “patrimônio”, de modo que a mesma não adquira um significado diferente daquele conhecido pelo nativo.

O autor parte então para o conceito de cultura e a importância de que esta seja considerada quando se fala de um patrimônio, pois alguns patrimônios podem ser ao mesmo tempo materiais e intangíveis, como o exemplo apresentado por ele da Coroa do Divino.

O texto conclui que não cabe ao antropólogo definir qual noção de patrimônio é mais ou menos relevante para as políticas públicas, mas sim introduzir esta noção de universalidade, sinalizando que há uma semelhança entre essa categoria e à noção de autoconsciência cultural que precisa ser melhor debatida.


sexta-feira, 17 de maio de 2024

Mapa Conceitual: O Patrimônio como Categoria de Pensamento - José Reginaldo Gonçalves

 Mapa conceitual do texto O Patrimônio como Categoria de Pensamento, de José Reginaldo Gonçalves.

Citação Completa: GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O patrimônio como categoria de pensamento. In: ABREU, Regina; CHAGAS, Mario (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A: Faperj: Unirio, 2003b. p. 21-29.

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quinta-feira, 16 de maio de 2024

Mapa Conceitual Ricoeur - A Memória, a História, o Esquecimento

 Mapa conceitual do capítulo "Da memória e da reminiscência". In: A memória, a história, o esquecimento. Do autor Paul Ricoeur.


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