RESUMO: O PATRIMÔNIO COMO CATEGORIA DE PENSAMENTO
AUTOR DO TEXTO: José Reginaldo Gonçalves
CITAÇÃO DO TEXTO ORIGINAL: GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O patrimônio como categoria de pensamento. In:ABREU, Regina; CHAGAS, Mario (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A: Faperj: Unirio, 2003b. p. 21-29.
Autora do Resumo: Heidi Ferreira da Costa
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RESUMO
O autor inicia o texto explicando a origem
do termo “categoria” dentro da Antropologia, e declara que o objetivo do texto
é compreender em que medida a categoria patrimônio, embora seja uma noção
moderna, também pode estar ligada a culturas pré-existentes.
Ele alega que embora o termo patrimônio
seja uma invenção da modernidade, remontando ao século XVIII, a noção de
patrimônio sempre esteve presente nas culturas e sociedades humanas,
interligando-o ao conceito de colecionamento.
José Reginaldo atenta para o fato de que as
especificações modernas da categoria de Patrimônio não são naturais. Segundo o
mesmo:
“Do ponto de
vista dos modernos a categoria “patrimônio” tende a aparecer com delimitações
muito distintas. É uma categoria individualizada, seja como patrimônio
econômico e financeiro, seja como patrimônio cultural, patrimônio genético,
etc.
Neste sentido,
suas qualificações acompanham as divisões estabelecidas pelas modernas
categorias de pensamento: Economia, cultura, natureza, etc. Sabemos, no entanto
que essas divisões são construções históricas.” (GONÇALVES, 2003. p.23)
Ele recorre ao conceito de “bens sociais
totais”, de Marcel Mauss, para considerar que patrimônios poder ter valores
além dos materiais, como valores mágicos, morais, espirituais etc.
Reginaldo apresenta então a recente
diferenciação e oposição entre o patrimônio imaterial e intangível ao
patrimônio de “pedra e cal”, considerando que a intenção desta nova
categorização não é de tombar, mas de registrar.
Seguindo a trilha de pensamento do
patrimônio imaterial, ele apresenta a Festa do Divino Espírito Santo como um
“fato social total” e ao mesmo tempo um “patrimônio transnacional”, porque se
tratar de uma manifestação que ocorre em diversos países. Neste ponto, no
entanto, ele alerta para a necessidade uma atenção ao utilizar a categoria
“patrimônio”, de modo que a mesma não adquira um significado diferente daquele
conhecido pelo nativo.
O autor parte então para o conceito de cultura
e a importância de que esta seja considerada quando se fala de um patrimônio,
pois alguns patrimônios podem ser ao mesmo tempo materiais e intangíveis, como
o exemplo apresentado por ele da Coroa do Divino.
O texto conclui que não cabe ao antropólogo
definir qual noção de patrimônio é mais ou menos relevante para as políticas
públicas, mas sim introduzir esta noção de universalidade, sinalizando que há
uma semelhança entre essa categoria e à noção de autoconsciência cultural que
precisa ser melhor debatida.
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